terça-feira, 22 de abril de 2008

Queridos amigos

Eu tava querendo começar aqui com um assunto, mas a coisa mudou. É que acabei de assistir a série "Queridos amigos" da Globo - que acaba essa semana - e desde o início, tô querendo dar os meus pitacos. A série começou meio morna (e alguns talvez tenham acreditado que continuou assim), mas depois parece que tomou corpo e o texto começou a se encaixar. Aquele velho problema de criar referências forçadas no público com diálogos como: "Ah, vc se lembra como era a Praça da República?", "Nossa, como me lembro, aquele ar imperial reunindo pessoas de várias tribos". Não gosto! Mas respeito a Maria Adelaide Amaral e sabia que ela ia encontrar um rumo. Hoje vejo a minissérie como algo talvez incompreendido para o momento (e por razões óbvias), que passou sorrateira e sem alarde. Certamente, é claro, afinal não há identificação pessoal com a nova geração que hoje dita as regras. Mas se observarmos bem - e fundo - é sutil, delicada e bastante intensa. Fala de pessoas, de amigos, de relações (E quem é que não se relaciona?). Fala de imperfeições e de protagonistas tentando encontrar o melhor caminho em suas vidas, justamente como nós. O pano de fundo: a Ditadura e suas sequelas (e elas sempre me comovem). Acho mesmo que morri na ditadura na última encarnação, tamanho é minha curiosidade pelo momento. Obviamente que é no mínimo admirável um momento que envolveu todo um país como o Brasil de forma triste e hostil. Que revelou muitas coisas tristes, mas que despertou outras muito boas. O idealismo, a paixão, por exemplo. Todos os dias lamento não ver um ideal no rosto das pessoas (e no meu também). Parece que hoje andamos numa espécie de torpor, sensíveis apenas à sobrevivência. Um tanto óbvio, já que nos dias de hoje a sobrevivência é tão pesada. Mas por outro lado, os sonhos ficam de lado, a esperança também. E o amanhã, resigna-se ao ditado: "só a Deus pertence".