segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Calamidade

Faz tempo que não passo por aqui né? Mas é que às vezes parece que vai ficando tudo tão confuso. São muitos... tantos de mim que mal cabem em mim mesmo. São vários. São todas as coisas. E dessa forma adivinham tudo. Sabem tudo. Compreendem o absoluto. E com aquela certeza e tranquilidade que só poderia dizer um homem livre. Um homem para o qual já não importa mais o passado ou o futuro. O que aconteceu ou o que está por vir... É um deles... faz parte da legião... assim como todos os outros... nem mais, nem menos... nem maior, nem menor... simplesmente igual. Os outros, como numa escala, apresentam todas as outras variações. Como um contraste que vai se definindo de um extremo ao outro. Neles estão todos os pensamentos. Neles estão todos os sentimentos. E, dessa forma, cada segundo é uma nova disputa para o privilegiado que conseguir garantir sua expressão. De que importa o certo ou o errado? O sonho ou a realidade? A alegria ou a tristeza? De que importa tudo, se tudo é efêmero??? Se tudo o que é deixará de ser em instantes... ou amanhã... ou no ano que vem... O tudo também é nada... Assim como o nada é tudo. E entre tantos e entre ninguém, prefiro ser coisa alguma e também todas as coisas... Porque tentar me achar é como mais me perder...

domingo, 3 de abril de 2011

PASSAGEM DAS HORAS

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...
Yat-lô--ô-ôôô-ô-ô-ô-ô-ô-ô...Ghi-...
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade...
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol...
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagascar...
Tempestades em torno ao Guardafui...
E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...
E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quereres...

Eu quero as declarações de amor de um poeta!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tentação

Por que me tentas, demônio? Por que?
Lançando esses olhos apertados, essa boca úmida, esse cheiro de amor.
Escorre pelos meus dedos longos, pelo meu colo quente.
Sempre que me rendo a tocá-lo...
Ah menino, faz isso não!
Não te disseram que é feio?
E vc, alheio, sempre soube e concordou?
Mas como, sendo assim, mantém esse mesmo olhar ingênuo
Esse sabor inocente no teu caminhar sereno.
Como???
Essas palavras a procurar pelas minhas
Um contornar de versos, de prosa, de rimas...
Um bailar doce e sensual de objetos e sujeitos
Esses que não se cruzam
Não se dizem
Não se conhecem
E mesmo assim, como se seduzidos um pelo outro
Irresistivelmente resignados a essa dança eterna
Doce e monótona
Esse adivinhar de coisas, esse desejar constante
Esse querer sem fim
Ah, menino!!!
Não obstante, ainda assim hei de te condenar
E se o Universo, redentor dos meus sonhos
Cumpridor de promessas, realizador de desejos
Se este mesmo Universo assim não conspirar
E se puser a protegê-lo das penas a que hei de te dar
Dizê-lo hei teu cúmplice.
Reservarei o cárcere.
E a ambos irei me negar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sem título

I hear you call my name and it fells like home...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Ah o amor!!!

Um amor de manhã.
Um amor de tarde.
Um amor de noite.
Ah! O amor de todas suas maneiras!!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Abaixo à crítica!!!

Abaixo aos famigerados, sequelados e incansáveis críticos. Abaixo às maledicências - reprodução desvirtuada de almas enfermas. Abaixo ao desamor e à falta de compaixão. Como pode o mundo orgulhar-se de levar abaixo qualquer iniciativa, de esgotar-se ferozmente em alimentar uma competição ilusória e sem destino certo. Afinal, qual seu ganho? Qual o valor da vitória, quando o preço disso é o desconforto, o impedimento e o desânimo alheio?

Por vezes, cheguei a acreditar que o "encontrar defeitos" fosse em si uma qualidade. Um olhar evoluído e distanciado sobre a realidade do mundo. Um treino cotidiano com objetivo de despertar uma sensibilidade aguçada para farejar equívocos. Valor tão reconhecido aos músicos, contadores, teatrólogos, consultores e analistas. Afinal quanto maior o profissionalismo, maiores as possibilidades e soluções para cada caso.

Não é assim na vida real. Aqui, na real existência, nos encontros e desencontros do dia-a-dia, a crítica se embaraça com valores morais e espirituais, distorcendo o respeito e a compaixão pelo outro em um misto de inveja e maldade gratuitos e equivocados. Nesse ponto, as palavras criam verdadeiro poder e o que antes era virtude torna-se um balde de água fria para disseminar as tentativas alheias. Ou você realmente acha prazeroso o nariz enrugado de um reclamão disposto a falar mal de seus intentos?

Quantos elogios você deu para cada crítica que cometeu? Quanta energia positiva dispendeu a alguém que inocentemente desejou compartilhar contigo uma boa idéia. Se esta deu ou dará cabo de seu objetivo, já não nos compete julgar. Isso é aprendizado alheio. Tentativa e erro. Tentativa e erro. Tentativa e acerto. Assim é a matemática da inovação.

A nós cabe apenas torcer, desejar e dispender energias positivas em retribuição ao que recebemos. A nós cabe apenas ver o que há de Verdade no outro, o que há de belo, o que há de louvável. O mundo está cheio de boas intenções. Vc está preparado para vê-las? Ou prefere antes acreditar que qualquer atitude alheia já é por princípio má ou ruim?

Se vc tem uma forma melhor de fazer, certamente chegará sua vez de ensinar. Mas não caia no egoísmo de acreditar que a sua versão é sempre a melhor para todos os fatos. Na dúvida, ou na impossibilidade de incentivar alguém, cale-se. Afinal se não pode mandar boas energias, conter as energias negativas que vc poderia evitar já é um grande progresso.

Afinal é tanta assim sua certeza de fazer melhor?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Construção...

Porque não vivemos de cartas marcadas e nem temos um jogo certo. Porque certas certezas são incertas até que se prove o contrário. Porque nós somos sinceros até quando não há como provar-se. Porque somos fiéis às nossas filosofias (emaranhado de linhas contínuas que nos unem a alma e o espírito). Porque somos fortes e invencíveis, embora o mundo viva tentando nos enganar. Porque somos em trânsito, em movimento, em construção...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Como é bom ser o gato!

Como é boa a vida do gato, né? Vc acorda, se espreguiça e lá está seu pratinho posto. Um golinho d'água pra matar a sede. Dormiu bem? Como não? Eu sou tão molinho que todo meu corpo se ajusta à caminha de forma mais que perfeita. 100% de mim está ali, pesando integralmente no chão, de forma que se eu fechar os olhinhos eu quase sentiria poder voar. Por isso mesmo dá aquela preguiça vez em quando, os olhinhos vão fechando, meu corpinho relaxando. Mal sabem eles, mas aprendi a meditar desde cedo. É isso que faço qdo paro no meu tapetinho, no umbral da porta, e fico olhando pra fora, me fingindo de decoração. Eu sou assim uma obra de arte, tenho movimentos elegantes e minha única obrigação é "espalhar a beleza por onde eu passar". O que não é lá muito difícil! No final do dia, lá está minha mãe mais querida do mundo pra me encher de beijos, coçar minha barriga, me dar apertos e dengos. E cof! cof! cof! uma bola de pêlos. É o que temos, fazer o que? Vida de dengos e naninha, essa é a minha! É ou não é muito bom ser o gato?